
A MORTE DO DIABO é um espectáculo musical, irónico, poético, apoiado pela DGARTES e com uma forte componente visual que evoca o sonho como esperança colectiva para construir um mundo melhor.
Composta em 1869, A Morte do Diabo (fragmentos de uma opereta), conhecida apenas por referências em textos dispersos dos seus libretistas Eça de Queirós e Jaime Batalha Reis, esteve perdida durante 120 anos. Foi descoberta no espólio do autor da música, Augusto Machado, na Biblioteca Nacional, numa partitura sem qualquer menção ao título nem aos autores. Esta é a opereta inédita reunida graças a Irene Fialho (que a reencontrou), Mário Vieira de Carvalho e José Brandão. A Morte do Diabo mostra a expressão humorística dos seus autores, sobretudo de Eça de Queirós, numa faceta pouco conhecida, o verso cómico.
No retrato que Eça de Queirós traça do país, nada é esquecido. Política, economia, sociedade e cultura completam-se reciprocamente no contributo para o diagnóstico de fundo: “O povo está cansado de ver que nada temos adiantado desde o século XVIII”, dizia o autor no século XIX e continuamos a dizer nós em pleno século XXI.
O espectáculo que agora apresentamos foi construido a partir dos fragmentos
encontrados e completado a través de uma composição teatral e musical originais. A narrativa parte de um contexto de cansaço, descrédito, inércia e omnipresente tédio para brandir com entusiasmo, tal como o jovem Eça de Queirós, a arma de eleição para atacar o status quo: a exposição ao ridículo. O escárnio permite-nos pensar o presente com lucidez e o riso ajuda-nos e definir caminhos possíveis para a cura. A MORTE DO DIABO usa a música instrumental e cantada como um meio seguro e activo de propagação de uma ideia: o povo é convidado a erguer-se contra a apatia e a defender as valiosas conquistas sociais proporcionadas pela revolução de abril de 1974.
Ficha Técnica:
Adaptação, concepção plástica e encenação de Gonçalo Guerreiro
Composição musical de Rodrigo Neves
Direcção musical de Carlos Marques
Direcção de produção de Emídio Abrantes
Cantores
Alice Boavista (Ventre)
Luís Freitas (Mefisto)
Ricardo Neves (Satanás)
Susana Milena (Lorette)
Cenografia, figurinos e adereços de Adriana Simões, Romena Laranjeira e Anisabel Teles
Desenho de iluminação de Dino costa
Técnico de som Gonçalo Santos Batista
Desenho gráfico e comunicação de Sofia Simões